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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Primeira caiacada de 2011 !!!!! - 01/01/2011

Feliz primeiro dia de 2011!!!!
Primeiros raios de sol no acampamento.
Depois do café da manhã fomos explorar o local e ver como estavam se comportando os carneirinhos na lagoa-mar.

O vento estava um pouco mais calmo que no "ano passado". O dia começava bem e muito bonito! Aquele pedaço de terra do pontal é uma beleza à parte! Mesmo com boa parte tomada pelos pinus, ainda restam muita areia e cômoros. Aquele pinus foi plantado lá e havia uma cerca exatamente onde acabava a área tomada pelos pinus. Achamos que até a cerca seria uma propriedade particular, mas ficamos sabendo mais tarde, que toda aquela área com pinus e sem pinus, antes e depois da cerca, é do governo.
E a cerca se vai lagoa a dentro.



Pequenas flores no meio da areia.
E lixo também!
Depois do pequeno passeio matinal voltamos ao acampamento para começar a desmontá-lo. Esse processo foi beeeem lento! Fui lavar a louça e dei a sobra do arroz de ontem para a lambarizada. Eles fizeram aquela festa!
Ligamos o rádio para ouvir o que acontecia além das margens da Lagoa dos Patos. O governador Tarso estava sendo empossado e uma pista da freeway estava bloqueada por causa de um caminhão tombado com carga tóxica.
No Pontal de Tapes um casal fotografava uma perereca que havia se escondido sob a lona de sua barraca.

Pererequinha escondida na barraca.
Até então eu ainda não tinha entrado na cabaninha de madeira do acampamento. Vi que as paredes do lado de fora estavam escritas com algumas bobagens, mas não tinha parado para ler tudo e nem nas paredes internas. Fiquei surpresa, pois a maioria eram recados de agradecimento pelo uso da cabana, pela "hospitalidade", como dizia um dos recados. E todos assinados com o nome das pessoas ou com o nome do barco. Achei bem bacana!
Enquanto arrumávamos as tralhas vimos um barco aproximar-se da "nossa" praia de juncos. De longe, percebi que um dos tripulantes era canino e já "levantei minhas orelhas".
Eram dois senhores e o cão Tai, uma mistura de fila, que não sabia o que cheirar primeiro, de tão emocionado que estava com o passeio. Um dos senhores que era responsável por ele, contou que ele estava acostumado a andar de barco, mas há muito tempo que não o fazia. Este senhor, cujo nome não lembro e, se não me engano o apelido era Zuzuca, foi pescador por muito tempo, fez passeios de barco para turistas na região e costumava levar embarcações para onde tivesse que levar, por exemplo, de Porto Alegre até Parati. Era um grande conhecedor das nossas águas, foi uma conversa muito gostosa e foi ele quem nos contou que aquelas terras eram do governo.

Leonardo tentando fazer amizade com Tai, que não era de muito papo.
Sr. Zuzuca?, Tai e Leonardo.
A gente conversava e arrumava as tralhas. Puxei o meu caiaque, o Quindim Precioso, até as margens de junco e qual não foi o susto que levei quando voltei onde estava o caiaque e vi um enorme sapo estatelado no chão. Ele parecia esmagado, quase tive um troço achando que eu o havia esmagado quando arrastava o Quindim de volta à água. Mexi nele e nada. Quase chorei! Chamei o Leonardo e mexi de novo, foi então que ele se moveu. Ufa! Ele estava se fingindo de morto! Ainda bem, pois iria me sentir muito mal se eu tivesse causado um mal a qualquer bicho.
Tralhas prontas, finalmente, e caiaques na água. Sr. Zuzuca, ou seja lá qual for o apelido dele, estava dentro da sua "Orca" buscando os ingredientes para o churrasco que ia fazer com o seu amigo e Tai. Como sr. Zuzuca estava dentro do barco, Tai estava nervoso às voltas da embarcação querendo entrar. Tadinho! Chorava como um filhote!
Nos despedimos e seguimos pela costa além das areias onde havíamos chegado ontem. Queríamos ver a grande extensão de areia que nos chamou a atenção no dia anterior.

Remamos por águas calmas e protegidos do vento. Ainda tinha bastante nuvens mas o sol mostrava que vinha para ficar e queimar. Apesar de, algumas vezes, remarmos a uma boa distância das margens, não estávamos em águas profundas, pois muitas vezes bati com o remo no chão e encontramos alguns bancos de areia no percurso.


Nosso objetivo: as areias brancas.

Bancos de areia.
Chegando ao nosso primeiro objetivo do dia, os cômoros de areias branquinhas, comemos bananas e eu fui me refrescar na lagoa, enquanto Leonardo foi explorar e fotografar o local. Eu tive que me refrescar com água pelos joelhos, pois não queria caminhar demais. Do jeito que se caminha na lagoa para encontrar águas mais profundas, não sei se não dá para atravessar o Saco de Tapes à pé...
Foto do Leonardo
Foto do Leonardo
Foto do Leonardo
Não ficamos mais tempo por ali porque o calor estava aumentando e ainda teríamos alguns quilômetros pela frente para remar, e não sabíamos se enfrentaríamos ondas ou não. E também porque haviam duas embarcações atracadas, uma de cada lado, cada uma com um batalhão de gente na praia. Uma das embarcações chegou junto com a gente e foi divertido vê-los descendo do barco e invadindo a praia. O Leonardo fotografou a cena, é só conferir no blog dele aqui.
Começamos a nossa travessia com pouco vento, muito sol e sem ondas no começo. À medida em que vamos nos afastando da costa, as ondas vão aumentando, mas nada comparado com o dia anterior. Não cheguei a fazer uma reza sequer, apenas tentava manter o Quindim numa só linha, o que era bem difícil, pois algumas vezes as ondas vinham de mais de uma direção. Desta vez o Leonardo se distanciou bem mais de mim e do Quindim.
Chegamos bem no centro de Tapes e à partir daí, remamos pela costa até o camping. Esta costa é tomada por casas e pessoas, bem diferente do outro lado.
Chegando na praia onde tem o camping, tratei de descer em seguida do caiaque, enquanto o Leonardo fazia mais algumas anotações no GPS. Fui abrir o carro logo para arejar um pouco, pois estava no sol. Peguei dinheiro e comprei uma cervejinha porque ninguém é de ferro! Tomamos um banho de lagoa, juntamos as tralhas e, depois de ter que ouvir um frequentador do camping nos alertar, para termos cuidado onde pisávamos, porque no dia anterior eles mataram uma jararaquinha no local por onde estávamos caminhando, só tive vontade de sair logo daquele local tão civilizado. Quem chegou primeiro? O camping ou a jararaquinha?
Seguimos para o centro da cidade procurar algum lugar para almoçar, o que não seria nada fácil, já que eram mais de duas horas da tarde.
O fotógrafo.
A chegada!
Fim da remada!
Que sede que eu tinha! Foto do Leonardo
O tradicional urrrúúúú final!!!!! Foto do Leonardo
Ainda encontramos um restaurante aberto e pedimos uma porção de batatas fritas. Na TV estava passando a posse da nossa presidenta. Do restaurante fomos para a sorveteria que tinha dobrando a esquina. E da sorveteria pegamos a estrada para voltar para Porto Alegre. E assim foi a nossa virada de ano. E assim começou o ano e assim foi a primeira caiacada do ano.
Feliz 2011 a todos! Que neste ano, a civilização aprenda a respeitar o meio-ambiente, nossas águas, nossa fauna e flora. Que nenhuma jararaquinha seja morta, simplesmente porque está viva e porque alguém acha que ELA está no lugar errado. Afinal, quem é o "civilizado"?

Foto do Leonardo

Última caiacada do ano de 2010 !!! - 31/12/2010 - Feliz Ano Novo!!!!

Na passagem de ano, Leonardo e eu resolvemos ficar longe dos foguetórios, missão difícil hoje em dia, já que ano novo e Natal viraram sinônimo de fogos de artíficio e a perigosa e proibida brincadeira começa horas antes da meia-noite. Aliás, por quê razão soltam foguetes na passagem do dias 24 e 25 de dezembro também? Não é a zero hora do dia primeiro de janeiro que se comemora? Ah, esqueci que Natal sem presentes e sem foguetes, não tem graça... que absurdo!
Bom, o lugar escolhido foi Tapes, "a namorada da lagoa", município gaúcho distante 103 Km da capital Porto Alegre e banhado pela Lagoa dos Patos. Para chegar até Tapes pegamos a BR116 e precisamos pagar dois pedágios nos valores de R$ 7,50 e R$ 6,00. Outro absurdo!
Chegando em Tapes fomos almoçar e seguimos a procura de uma camping para deixarmos o carro e termos acesso à lagoa. Achamos um em seguida, que mais parecia uma vila, pois barraca é o que menos se via no meio das várias tendas feitas de madeira e plástico. Acredito que essas tendas sejam utilizadas como casas de veraneio mediante um aluguel porque elas são equipadas com fogão, eletrodomésticos e muitas tem até jardim na frente, só falat muros entre elas.
Bom, o importante é que conseguimos deixar o carro lá e era uma posição boa para a saída em direção ao Pontal de Tapes.


Caiaques prontos para a partida.
Menina brincando na areia do camping.
Caiaques prontos, tratamos de começar a travessia logo, pois as ondas e o vento indicavam que não seria nada fácil. Eu, que morro de medo de ondas, comecei a rezar assim que dei as primeiras remadas. Não sigo nenhuma religião, mas talvez por ter tido uma formação católica, sempre começo a rezar em momentos de quase desespero. Rezei o Pai Nosso, a Ave Maria, O Credo, rezei até para os anjos, aquelas orações que aprendi na pré-escola: "Anjinho da Guarda, meu bom amiguinho, me leve sempre ao bom caminho!" O bom caminho era chegar sã e salva do outro lado da lagoa. Rezava e remava, rezava e remava!
O Leonardo seguia na frente e eu tentava me manter bem atrás do Ilegal, mas não conseguia manter o Quindim numa linha reta. Em condições normais o Quindim, ou eu, já apresentamos problemas de geometria, com ondas e vento então, foi bem difícil manter uma direção.
Eu tentava me manter calma para não atrapalhar o Leonardo, cujo caiaque é bem mais instável, e lembrava muito do livro que ganhei dele e que estava lendo: "Uma mulher, um caiaque e o oceano", de Simone Miranda Duarte, onde ela conta a travessia feita por ela num caiaque oceânico, do Rio de Janeiro até Santos, há 20 anos atrás quando não tinha celular, GPS, nem sacos estanques! Ela guardou tudo em sacos de lixo! Voltando para a minha travessia, lembrava quando ela contava que nessas condições era difícil manter o rumo do caiaque e imprimir um ritmo constante. Era preciso negociar com as ondas mais audaciosas. Lembrava das narrativas dela e me confortava pensando que não era só eu que sentia dificuldades.
Foi assim, rezando e lembrando do livro que consegui enfrentar as ondas e o vento e chegar do outro lado do Saco de Tapes.
Chegamos do outro lado.
Quindim ou banana????
Chegando no outro lado desembarcamos dos caiaques numa bela prainha de areias brancas. A decepção ficou por conta da vegetação, o Pontal de Tapes está tomado de pinus, praticamente nada de vegetação nativa! Após um rápido lanche (bananas), caminhamos um pouco pela prainha, fotografamos mais um pouco e seguimos remando pela costa, protegidos do vento e das ondas.
Pinus, pinus e mais pinus...

Durante a travessia, Leonardo comentou sobre um pontinho branco que víamos de longe e que ele achou se tratar de uma prainha. Descobrimos que o tal pontinho era uma das embarcações atracadas num tipo de acampamento, um ponto de encontro de pescadores e navegadores. Mais adiante encontramos o nosso acampamento! Leonardo entrou no meio dos juncos para conferir o local, pois ali acabava a plantação de pinus e depois o Pontal se transformaria numa extensa faixa de areia. Desci também e me surpreendi com o que vi: do alto de um cômoro de areia podemos avistar os dois lados da Lagoa dos Patos, pois ali é a parte mais estreita do Pontal. E o mais impressionante é a diferença das águas, de um lado, o lado que viemos, águas calmas, quase sem vento e do outro lado, a mesma lagoa dos Patos parecia um mar aberto com muitas ondas e um vento de arrepiar até o último fio de cabelo!
Com toda aquela beleza e mais uma cabaninha com mesinhas e bancos para ajudar, resolvemos acampar ali mesmo.
Leonardo, ainda com a saia de vedação, admirando o outro lado da lagoa.
A lagoa que parece um mar.
Pontal a perder de vista.
Pinus, pinus e mais pinus.
A lagoa e os pinus.

Depois de fotografar aquele encantador pedaço de terra, puxamos os caiaques para perto da cabana, montamos a barraca sob a proteção dos pobres pinus e tratamos de pegar água para preparar a janta e tomar um banho na lagoa. Após o banho, tirei o vestido amarelo que ganhei da minha tia Zélia, com a recomendação de usá-lo duranto o dia 31 e vesti o vestido branco que ganhei da mesma tia, com a recomendação de usá-lo na virada do ano. Por sorte, os vestidos vieram a calhar, pois o amarelo é curtinho, leve e bem fresquinho, ótimo para colocar por cima do biquini e o branco, apesar de ficar me sentindo uma mãe de santo com ele, também veio a calhar, pois é comprido e me protegeu do frio e dos mosquitos. Obrigada tia! Segui as recomendações bem direitinho!
Os caiaques no meio dos juncos.
Leonardo puxando o Ilegal para o acampamento.
Sapinho no acampamento.

Acampamento montado com varal e tudo!
Fim de tarde, fim do dia, fim do ano!
A janta foi um banquete: arroz, lentilha, palmito, milho e chocotone de sobremesa! Um espetáculo! Sempre lembrei com carinho da lentilha que a minha mãe preparou num acampamento que fizemos quando eu e meus irmãos éramos pequenos. O pai levava a casa junto nos acampamentos. Ele tinha uma variant na época e mais um reboque enorme para carregar tudo o que precisávamos e mais um pouco para deixar o acampamento mais confortável. Naquele ano, acho que o único ano em que acampamos na virada de ano, a mãe levou as taças no colo, durante toda a viagem de Porto Alegre até Araranguá, em Santa Catarina, com todo o cuidado para não quebrar e podermos brindar a meia-noite. Fiquei orgulhosa de mim por também ter preparado lentilha num acampamento, já que sou "pouca-prática" em acampamentos.
Lentilha no fogo, barriga vazia!
Não esperamos a meia-noite para comer a lentilha. Aliás, mal esperamos a meia-noite acordados. Jantamos, comemos a sobremesa e deitamos na areia, quer dizer, o Leonardo deitou na areia e eu fiquei em pé, do lado porque tenho uma certa aflição de ficar com areia pelo corpo Fresquinha eu, né?! Fazer o quê? A mãe diz que desde pequeninha sou assim, ando na areia me limpando, tirando a areia do corpo. Voltando para a areia, ficamos ali olhando as estrelas. O Leonardo viu uma estrela cadente e vários satélites, que também consegui ver. Olhar as estrelas, que ficam tão iluminadas longe das luzes da cidade é um espetáculo à parte! Ficamos um bom tempo ali, olhando as estrelas e jogando conversa fora até que o sono chegou e resolvi deitar. Fui arrumar a "cozinha", guardar as coisas e acabamos comendo mais chocotone. Fui limpar a colher da lentilha que sobrou e percebi que ela ainda estava quentinha. Acabamos comendo todo o restinho de lentilha, logo depois de comermos chocotone! E tava boa aquela lentilha!
Em seguida chegou a meia-noite e olhamos os fogos de longe, só aquelas luzinhas pulando e explodindo no céu. Nenhum barulhinho além do vento e da lagoa-mar. Fiquei pensando nos meus cachorros, tadinhos! Pena que não tinha como trazer todos os 32 junto. Alguns não se afetam, mas alguns ficam apavorados com o foguetório. O meu consolo é que eles estavam seguros em suas casinhas e canis, mas ficava pensando também nos tantos animais que sofrem com os fogos de artifício. O pavor é tanto que acabam fugindo, pulando muros altos, que nem eles sabiam que podiam pular. Alguns chegam a morrer do coração, tamanho o stress que esse barulho causa a eles. Os fogos de artifício podem ter a sua beleza, mas por mim eles não precisavam existir. O que importa é estarmos com as pessoas que a gente ama e não o barulho que fazemos. O ano novo se transformou numa competição para ver quem faz mais barulho e é difícil fugir dele. Eu e o Leonardo conseguimos!
Feliz 2011 !!!!!