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quinta-feira, 11 de maio de 2017

A dor ensina a gemer

Tem ditos populares que podem ser brega, piegas, o que for, mas cabem direitinho na vida real. 
Estou amando morar num sítio, longe dos congestionamentos e do agito da cidade grande. Longe da violência e dos assaltos, que mais cedo ou mais tarde, chegarão aqui, também. 
Por hora, os perigos do Recanto são outros. Eles rastejam e são venenosos... as serpentes!
Olha a bichinha mais de perto! Uma cruzeira, ou cruzeiro, apareceu na terça-feira. Eu estava fazendo o chimarrão na cozinha, de frente para a janela, quando vi que o Caniço deu um pulo para trás e começou a latir para baixo do reboque. Gelei! Não tinha visto a bichinha, ainda, mas a reação dele era típica. 
Leonardo no plantão, sobrou pra mim...
Prendi toda a cachorrada e aí, que fui olhar embaixo do reboque. A danada tava bem quietinha, e bem enroscadinha. Por sorte, não chegou a picar o Caniço, apesar de ter dado o bote. 
Comecei a tremer feito vara verde mas, não tinha outra alternativa, teria que ser eu a capturar a peçonhenta. Peguei o balde que havia separado para estas situações, mas ainda não tinha feito os furos na tampa. Fiz os furos, procurei uma vara e a bichinha lá, quietinha. Ainda bem! Olhei pra ela, olhei pro balde... resolvi pegar o tonel, que é bem alto. 
Ela se esquivou para um lado, se esquivou para outro mas consegui colocá-la no tonel! Urrúúúú! Agora, para de tremer, Tiane! :)
Coloquei o tonel com a bichinha, no galpão, e ali ela ficou até ontem. Leonardo querendo que eu a soltasse logo mas, cadê coragem? Não foi a primeira que eu capturei, mas nunca soltei nenhuma, Esta tarefa sempre foi do Leonardo e ele só volta na semana que vem.
E agora, quem poderá me ajudar??? Eu mesma! 
Procurei um amigo no Face, que foi tratador de serpentes do zoológico e tem algumas como bichinho de estimação, o Evandro, e pedi umas dicas. Uma dica bem legal que ele deu, foi que ela tinha que ficar com mais medo que eu. 😶 Oi?
Acordei ontem, quarta-feira, psicologicamente preparada para fazer a transferência da bichinha, para após, fazer a sua soltura.
Passo um - parar de tremer
Passo dois - levar todos os equipamentos e a cobrinha, lááá pra baixo, perto do rio, onde não tem cachorro e tem bastante espaço para fugir dela, se necessário. E parar de tremer.
Passo três - deslizar a bichinha do tonel para a caixa organizadora. Tampar a caixa!
Passo quatro - comemorar e parar de tremer!
Gente! Deu tudo certo! Foi mais fácil do que eu imaginava! Tô virando a Tiane dundee! :) 
Olha a bichinha bem acomodada, no banco do passageiro do carro, pronta para pegarmos a estrada em direção ao matinho onde costumamos soltá-las.  Pois é, a gente não mata, nem essas peçonhentas. Por mais medo que eu sinta delas, não tenho coragem de matar.  Até porquê, eu gosto delas! Bem longe de mim, mas gosto. Com estas aparições, tenho comprovado o que os entendidos em serpentes dizem, que elas não são  agressivas, elas não atacam, apenas se defendem. E realmente, elas têm tanto medo da gente, quanto a gente delas.
Se o Leonardo estivesse em casa, eu teria gritado: "Leonaaaardo!!!!", e ele teria feito todo o serviço, como aconteceu até hoje. 
Não é a primeira vez que acontece alguma coisa, que eu nunca pensei que fosse fazer na vida, mas quando não tem ninguém para fazer por nós, não tem jeito! A dor ensina a gemer!
E assim seguimos a vida no Recanto, olhando sempre  para o chão, para evitar acidentes, e ficar torcendo que os cachorros sejam mais espertos e tomem mais cuidado. E assim, viveremos felizes para sempre!