sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Caiacada na Pinheira no feriado da Independência

Colocando em prática a ideia do grupo "Vamos Remar", do qual Leonardo e eu fazemos parte, no feriado de Sete de Setembro seguimos para a praia da Pinheira, em Santa Catarina, para a remada do mês, que desta vez foi idealizada e organizada pelo Leonardo. A ideia do grupo é que seja realizada uma remada com acampamento por mês e que cada integrante do grupo organize uma. Leonardo aproveitou o feriado para sugerir algo diferente, que ficássemos num único ponto e fizéssemos trajetos diferentes, retornando sempre para o mesmo acampamento. Achei a ideia excelente, pois poderíamos aproveitar mais o acampamento, não teríamos que montar e desmontar barraca todos os dias, juntar e guardar as tralhas, e ainda por cima, mulheres, filhos e namoradas, que não remam, poderiam ir junto.
Tudo certo, combinado e organizado, Leonardo, Tombinho e eu saímos de Porto Alegre na quarta a noitinha para deixar o Trumbico na casa dos avós, em Nova Petrópolis. Os avós de Porto Alegre ficaram com os outros 29 cães e 16 gatos! Cada saída que dou, é uma novela! Além de ter que deixar tudo organizado para a minha mãe e a dona Neusa cuidar da bicharada, tenho que aguentar a tristeza dos bichos que não viajarão junto. Eles sabem direitinho quando vamos viajar! A Brigitte e o Pinheirinho são os que mais sentem. A mãe conta que o Pinheirinho fica deitado no portão, dia e noite e não come nos primeiros dias e a Bibi, não sai de dentro de casa e também faz greve de fome. Desta vez a Divina também fez cena, fazendo festa achando que ia junto! Na foto acima, tirada pelo Leonardo, dá pra ver uma mancha escura, que é ela pulando de alegria. Tadinha, se deu mal!
De quarta para quinta-feira, dia 6, Leonardo, Tombinho e eu dormimos na casa dos pais dele, em Nova Petrópolis. Acordamos cedinho, tomamos café, nos despedimos de todos, pedimos ao Tombinho que ele se comportasse e pegamos a estrada.
Passamos por Gramado e Canela atrás de uma lotérica para pagar uma conta e seguimos para São Francisco de Paula onde pegamos a Rota do Sol até a BR 101. Paramos em Rondinha para Leonardo pegar um remo e telefonamos para Maria Helena e Trieste, para saber onde andavam, já que saíriam de Porto Alegre no meio da manhã. Eles ainda estavam na Freeway. Diminuímos o ritmo da viagem para ver se eles nos alcançavam e para almoçarmos juntos, mas não deu certo e nos encontramos já na praia da Guarda do Embaú, onde almoçamos às 16h, depois de fazer uma rápida visita ao amigo André Issi, na pousada Maktub.
Depois do almoço seguimos direto para o camping Pinheira, que fica na Praia de Cima, em Pinheira, no município de Palhoça. Tratamos de montar as barracas deixando espaço para os companheiros que chegariam logo mais.

Leonardo não resistiu e foi brincar nas ondas com seu novo brinquedinho, um caiaque de corredeiras. 


Tentei fotografá-lo mas o vento, o friozinho e a máquina fotográfica com problemas me fizeram desistir e voltar ao camping, onde fiquei observando Leonardo de um local mais protegido.
Logo a noitinha chegaram Álvaro e Sarita, que só conhecíamos pela internet. Jair, Alvares e Hélio chegaram na madrugada, enquanto dormíamos.
Quando acordamos o grupo estava quase completo, faltava o Marcio, que chegou em seguida e deixou para montar seu acampamento no final do dia. Café tomado, tratamos de dar início as remadas,  levando os caiaques para a beira do mar. Que bom que as barracas estarão prontinhas quando voltarmos!
Acima, Sarita e Alvaro antes da primeira remada do feriado e na foto de baixo, os preparativos para o primeiro dia de remada, com saída na Praia de Cima, bem em frente ao camping. O colorido dos caiaques estava muito bonito! A maioria dos caiaques são amarelos e eles são maioria no nosso grupo também, mas desta vez, além do meu Tubarão Clandestino, que é azul, tínhamos o caiaque verde do Marcio e o vermelho do Alvares. Maria Helena e Trieste, no duplo amarelo. O caiaque do Alvaro também amarelo, apesar de mais claro, o do Leonardo é um amarelo em crise de identidade, pois era para ser laranja, e o Jair, com um laranja como era para ser o do Leonardo.
O dia estava bonito, tinha sol e um vento fraquinho. Não haviam carneirinhos no mar, o que indicava que seria uma remada tranquila. Ledo engano! Nas primeiras remadas senti que algo estava errado, remava e a sensação era que o caiaque não estava dentro d'água e senti dificuldade no equilíbrio também. Logo lembrei, que o caiaque estava sem peso. Normalmente, remamos com o caiaque lotado de tralhas, o que dá uma certa estabilidade ao caiaque e sem peso, parecia que iria virar a qualquer momento. Em seguida comuniquei meu medinho ao Leonardo, falei que se pegasse uma onda de lado, eu ia virar. Para ajudar, o mar estava com vento e ondas, que apesar de virem de frente, não deixaram a remada mui tranquila! Após esta travessia, finalmente chegamos num canal abrigado, na Ilha do Papagaio. Aportamos numa prainha pequena e da prainha não podemos sair, senão de volta para a água, pois ali tem um hotel um tanto seletivo. Uma funcionária veio nos receber, muito simpática, entregando folders e convidando-nos a usar as dependências do hotel e nos colocando a par dos valores das diárias e do almoço. Só lembro do valor do almoço: R$ 105,00! Decidimos, por unanimidade, deixar a hospedagem e almoço para uma outra oportunidade...
Nesta primeira parada, descansamos e definimos o caminho a seguir. Copio agora, um trecho de um e-mail do Leonardo para o grupo, explicando os próximos passos, quer dizer, as próximas remadas. Com a palavra, Leonardo:
"...combinamos que iríamos para a Ilha de Araçatuba para visitar as ruínas do forte, desembarcando pelo lado Noroeste - onde, segundo o Trieste, teríamos acesso. De lá seguiríamos para Naufragados.
Saindo do canal e das águas protegidas, passamos a remar sob várias influências: o pequeno swell vindo do mar aberto, o reflexo desse swell pelo costão - quanto mais perto do costão, mais mexido estava o mar - e as pequenas ondas de vento, além do próprio vento. Entre o costão e a Ilha de Araçatuba havia uma pequena correnteza de maré, bastante fraca, levando a água da Baía Sul (Ilha de Santa Catarina) para o mar aberto.
Devido ao somatório desses fatores as condições de remada estavam mais desafiadoras, mas pelo que eu saiba ninguém manifestou desejo de desistir e retornar. Como a ideia seria desembarcarmos pelo lado Noroeste da ilha, seguimos remando para o local de piores condições, considerando o vento e as ondas de vento rebatidas pela ilha. Alvares seguia por último nas proximidades da Tiane e chegou a me dizer que se eu quisesse poderia seguir na frente e eu cheguei realmente a me distanciar um pouco na direção da "testa do pelotão", mas achei que não teria utilidade nenhuma remando na frente; como estava mais preocupado com a Tiane, acabei diminuindo o ritmo e passei a remar perto dela. Chegando na ilha, verificou-se que não havia local para desembarque. Se tivéssemos optado por passar pelo lado abrigado da ilha ficaríamos protegidos do vento e das ondas de vento, mas estaríamos sob efeito do swell (pequeno) e do reflexo do swell (quanto mais perto da costa, maior o efeito). Como não havia local para desembarque, continuamos remando para Naufragados. Isso exigiu uma mudança de rumo e passamos a receber as ondas de vento praticamente lateralmente (vindas da esquerda) e o pequeno swell vindo da direita. Olhando na direção da Baía Sul o mar estava encarneirado (topo das ondas de vento quebrando).
Eu seguia perto da Tiane, que "nem piscava" de tão tensa e remava perto do duplão do Trieste e da Maria Helena. Atrás de nós, fechando o grupo, vinham Jair e Alvares. Um pouco adiante da ilha (na travessia para Naufragados) olhei para trás e vi que Jair tinha capotado, mas Alvares estava próximo. Eu estava mais preocupado com a Tiane e sabia que Jair e Alvares remam juntos há tempos e inclusive volta e meia treinam resgate juntos, então realmente não fiquei preocupado com a situação. Por pouco, muito pouco, não segui remando com a Tiane (que nem tinha percebido a situação). Por outro lado, Tiane seguia "sem piscar" firme perto do duplão, então numa fração de segundo resolvi fazer meia volta pra ter certeza de que tudo estava bem. Chegando mais perto, vi que não era bem assim. Alvares parecia estar com dificuldades de se aproximar do Jair. Encostei ao lado do caiaque do Jair enquanto Alvares tentava alcançar o seu cabo de resgate para o Jair (ainda na água); mas além de Jair não conseguir pegar o cabo, esse cabo tinha somente uma alça na ponta, não tinha nenhum mosquetão. Estávamos derivando rápido para as pedras, era preciso sair da arapuca."  
Primeira parada: Ilha do Papagaio.
Leonardo, após o resgate de Jair, aportando em Naufragados.
Em seguida chegou Jair.
Acima, o canto esquerdo da praia de naufragados, onde aportamos e abaixo, os caiaques e o canto oposto.
Tive que copiar parte do texto do Leonardo porque achei que explicou muito bem o que aconteceu e como eu estava durante a remada, ou seja, muito tensa! Antes mesmo do Jair capotar, havia decidido abortar a remada na primeira praia que parássemos, voltaria a pé, ligaria para minha irmã, que mora em Floripa, para me buscar, sei lá! Só não queria mais remar, as condições não estavam boas para mim, eu não estava curtindo, apesar de Leonardo comentar que ninguém havia manifestado vontade de parar. Não manifestei minha vontade de parar porque não tinha onde! Estávamos contornando um costão de pedras e depois do costão estávamos longe de qualquer praia enfrentando vento e ondas, não tinha como parar! Não tirei nenhuma foto durante qualquer trecho da remada naquele dia, pois não dava para olhar para o lado.
Para o meu azar, a primeira praia onde paramos era Naufragados e não tinha acesso para carros e a pé daria uma caminhada um tanto grande! Que azar o meu! Teria que voltar remando... 
Ainda bem que o episódio da capotagem do Jair acabou bem, pois Leonardo voltou para ajudar e sagrou-se o herói do final de semana! 
Após lancharmos em Naufragados, definiu-se a estratégia para retorno, Jair colocou sacos de areia nos compartimentos do caiaque, pois ele também estava sofrendo com a instabilidade do caiaque com pouco peso. Leonardo resolveu fazer o mesmo para mim. Não foi nada difícil encontrar duas sacolas plásticas rolando pela praia, que foram para os compartimentos do Tubarão Clandestino, cheias de areia. Com relação ao peso, senti melhoras significativas, mas agora, o que me incomodou foi a falta do leme. Com as ondas de lado, não conseguia manter o caiaque na direção certa e lá pelas tantas, achei que estava indo na direção das pedras. Remava, corrigia, remava, corrigia e não ia na direção que eu queria. Comecei a ficar cansada e nervosa, mas muito nervosa mesmo e acabei tendo um "piti", gritando feito uma louca para o Leonardo, que estava um tantinho na minha frente. Maria Helena e Trieste, no duplo, estavam bem perto de mim e tentavam me acalmar. Leonardo voltou ao meu encontro e me orientou sobre o que fazer e deu certo! Corrigi o caiaque, chegamos em águas um pouco mais calmas, mas eu continuava com dificuldade para orientar o caiaque na direção correta e o Leonardo acabou me rebocando até chegarmos de volta na Praia de Cima. Finalmente acabava aquela remada! Infelizmente, aproveitei muito pouco! Um lugar lindo, com belas praias e eu não consegui curtir. Quem sabe, numa outra oportunidade, sem um tiquinho de vento e ondas, eu consiga remar e aproveitar tudo aquilo.
Leonardo, Marcio e Alvaro ainda ficaram na água treinando resgate e rolamento e outras técnicas, mas eu tratei de tomar um belo banho, fiz um chimarrão e descansei! Só voltaria a remar naquele feriado, se o mar ficasse como um espelho!
De volta a Praia de Cima, fim da remada do primeiro e último dia, para mim!
Leonardo no acampamento após um dia de remada.

Um comentário:

  1. Oi Tiane, vim agradecer a visita no Adoro Lilás.

    que delicia, q venha o verão logo que é perfeito pra praticar esses esportes.

    beijo boa semana
    Grasi
    adoroolilas.blogspot.com

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