Domingo, 7 de junho.
Acordei cedinho para alimentar a bicharada. Normalmente, seria difícil sair da cama num dia frio e, ainda por cima, acordar tão cedo num domingo mas a ansiedade não me deixaria dormir por mais tempo. Ao mesmo tempo em que estava louca para chegar no GPA (Clube de Regatas Guaíba-Porto Alegre), estava com medo, imaginando o que viria pela frente.
Nos meus 15 anos, fiquei um bom tempo indecisa sobre o que pedir de aniversário: uma bateria, uma viagem, uma motinho (Mobilete) ou um caiaque? Escolhi a Mobilete e nunca mais surgiu uma oportunidade de andar em um caiaque.
Eis que, anos depois (não interessa quantos...), recebo um convite para tomar café numa ilha do Guaíba sendo que o único acesso até lá, é por água.
Até então, não estava entendendo direito o que era o programa. Fiz um pão e uma cuca para colaborar com o café, levei algumas peças de roupa a mais, crente que cairia na água, mas não sabia como seria a minha primeira vez num caiaque.
O dia parecia querer colaborar, o frio seco e com poucas nuvens, um típico domingo de outono convidava para uma aventura na água... hay que ser otimista! Chegamos no GPA às 7h30, no exato momento em que saía uma embarcação para a ilha. A embarcação era uma daquelas com vários remadores num barco só (linguagem de leigo...)
Ao receber o convite para "caiacar" me falaram o seguinte:"pedi um caiaque bem instável que é para ver se tu é boa de equilíbrio e perder o medo logo" Isso explica o porquê da minha ansiedade e, qual não foi o meu alívio quando descobri que eu ia num caiaque duplo com um motorista/professor, o André, que também era o anfitrião e foi quem me passou as primeiras orientações sobre como "pilotar" e se equilibrar em um caiaque. Sentei sem maiores problemas, apesar de não desgrudar a mão da rampa, e as primeiras braçadas também não foram tão problemáticas. O mais difícil foi sincronizar minhas remadas com as do experiente professor André.
Depois de nós, sairam o André Issi, o Leonardo e o Germano.
Últimos preparativos. Foto: Leonardo Esch
Fiquei em êxtase remando pelo Guaíba, passando pelas ilhas que abrigam garças e outros pássaros. A sensação de estar no meio daquela água toda é muito legal!
Não levamos meia hora para chegar na tal ilha onde seria o café. A maior surpresa da manhã, para mim, não foi eu não ter caído na água e sim, a faixa etária dos remadores daquele barco que saía do GPA quando cheguei.
São senhores de 65, 75 anos e até mais, e são eles que levam os apetrechos para o café: chaleiras, canecas, talheres e cada um leva um prato (pão, bolo, cuca, bolachas...) e assim acontece o café na ilha, todos os domingos. Eles saem do GPA às 7hs e ficam na ilha até às 9hs.
Chegamos na sede do GPA com o céu limpo mas, em seguida, uma nuvem enorme cobriu o céu, deixando o dia frio, quase toda a manhã. Tive que tirar o tênis para descer do meu caiaque duplo. Ai, que frio! O André me largou ali na ilha e foi atrás do Issi, Leonardo e Geraldo para mostrar o caminho a eles. Assim que desci, um veterano do Júpiter veio até mim e sugeriu que eu sentasse na tal embarcação pra secar meus pés. Apesar de ter pensado, no sábado em levar uma toalha, não levei, "sisquici!". Sentei no barco que ficava com parte dentro d'água e fiquei admirada com a quantidade de lambaris na beira da água. Em seguida, veio um dos remadores com 2 sacolas cheias de pão para dar aos peixinhos e eu ganhei dois cacetinhos para fazer o mesmo. Enquanto saciava a fome da lambarizada, o senhor que me recebeu na chegada voltou com 3 folhas de jornal para eu secar meus pés. Sequei, coloquei as meias e o tênis e pisei em terra firme. Logo chegou o resto do grupo e fomos tomar café e, só aí entendi melhor o "evento".
Fonte: www.gpa1888.com.br
O Clube de Regatas Guaíba-Porto Alegre, o GPA, é o clube de remo mais antigo do Brasil e há mais de 70 anos utilizada o barco Júpiter, um Gig a 6 remadores, para o café dominical na ilha do clube, a 3 Km da sede.
Um navio e um rebocador passaram do nosso lado. Chegou a me dar um frio na barriga mas até que não levantaram muita marola.
O Leonardo já havia chegado na sede e estava filmando de lá quando o Issi teve a brilhante ideia de tirar uma foto com a ponte móvel de fundo. André e eu fomos na frente e passamos por baixo da ponte. Nossa! O barulho dos carros e caminhões passando na ponte é assustador! Mesmo assim, adorei passar embaixo da ponte! Lembrei da pedalada para Guaíba e das fotos que tirei em cima. Agora, uma foto embaixo dela, num caiaque. Beleza! Mais uma indiada inesquecível! Obrigada Leonardo e André, pelo convite e paciência!
Tiane, fiquei arrepidada de frio só de olhar as fotos. Eta, pessoa corajosa!
ResponderExcluirbeijos
Mazááá!!! Vê só, mal foi a primeira vez e já era a mais charmosa canoísta do passeio!!!
ResponderExcluirAgora já pode pensar na próxima...
Beijo!
Muito bom te conhecer. Melhor de tudo foi ter partilhado tão bons momentos junto a natureza ao lado de Porto Alegre. Um show!
ResponderExcluirBjão