sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A realização de um sonho. Parte 1

Esta postagem vai ter "figurinha" mas vai ter um longo texto, também, pois, não tem como contar o sonho, sem explicar como aconteceu, como eu senti e estou sentindo ele se realizar.
Te convido a sentar e tomar um chá, um café ou um chimarrão, enquanto lê com calma, sobre este período tão marcante da minha vida. 

Tudo começou no dia em que esta foto foi tirada, dia 26 de maio. 
Há alguns meses, lá pelo final de maio, eu havia comentado numa postagem que o nosso ano seria dividido em AR (Antes da Remada) e DR (Depois da Remada), me referindo a Remada de Inverno, que Leonardo e eu organizamos há 6 anos, no solstício de Inverno. Realmente, foi o que aconteceu e digo agora, que não foi apenas o ano que sofreu esta divisão e sim, a minha vida pois, no final da Remada de Inverno, dia 26 de junho, após mais um excelente final de semana de remada e acampamento, um acidente estúpido tirou a vida de um grande amigo, o Trieste.
Foi um choque, perder alguém tão querido e tão próximo, com quem tínhamos encontros marcados para os próximos finais de semana, com quem tínhamos tantos planos de remadas, pedaladas, viagens e com quem compartilhávamos tantos sonhos. 
E este fato tão marcante e tão triste na minha vida, aconteceu no mesmo período em que Leonardo e eu estávamos prestes a realizar um sonho, que já havíamos compartilhado com o Trieste e a Maria Helena mas, que só deu tempo dele me dizer, que estava muito feliz por nós!
Na verdade, foi a Stella quem compartilhou a novidade, contando para eles. Eu só tinha comentado com a Maria Helena, que tinha uma novidade mas, que só contaria no sábado. Ela ainda fez aquele "ahhh..." e eu respondi,"não tô grávida!". Ela riu, pois tinha pensado, exatamente aquilo. Eu havia me programado para contar a novidade no sábado mas, na sexta-feira eles jantaram em Porto Alegre, com a Stella, o Guilherme e outros remadores que vieram de outros estados e lá, a Stella contou a novidade. 
Chegando para a Remada de Inverno, no sábado bem cedinho, uma das primeiras coisas que Trieste me falou foi "já tô sabendo da novidade! Estamos muito felizes por vocês!". Infelizmente, não deu tempo de conversarmos mais sobre a tal novidade. Ainda bem que a Stella contou!
Voltando para o dia 26 de maio, quando Leonardo e eu remamos no Rio Araranguá, com Maria Helena, Trieste e Demathé. Mal sabia eu, que aquela seria a última remada que faria com meu amigo, e mal sabia eu, que meus pais foram até Araranguá, em Santa Catarina, cidade natal da  minha mãe, para nos oferecer um presente. 
Eu os havia convidado para aparecerem por lá, pois estavam em Torres, que não é tão longe, e achei que a mãe gostaria de visitar a terrinha dela. O pai adora uma estrada; acompanhar um final de remada seria apenas uma boa desculpa para passear. Eles foram mas, com uma segunda intenção, que era oferecer um presente para Leonardo e eu, e o presente era, nada mais, nada menos, do que uma casa nova no Recanto, uma casinha nova na parte alta do Recanto, onde pensamos em construir desde que adquirimos a área mas, por falta de verbas, fizemos, apenas, uma pequena reforma na casinha que já existia no sítio e deixamos para realizar o sonho, quando desse.

Levei um baita susto com a oferta e, depois de muita conversa e muito choro, aceitamos o presente. Como estávamos perto da Remada de Inverno, pedi que deixássemos o começo das obras para DR - Depois da Remada de Inverno. 
Neste meio tempo, Leonardo começou a limpar a área onde ficaria a nova casa, já que deixamos que as vassouras tomassem conta do terreno. Vassouras são arbustos que formam uma floresta primária, são compridas e finas, se quebrando facilmente. As abelhas adoram, mas não duram muito. Cresce rápido, secam, quebram e sempre tem novas mudas perto.
Deu um bocado de trabalho limpar esta área! 
Marcamos onde ficaria a casa, mais ou menos.  
A Remada de Inverno aconteceu, o acidente também, e um desânimo tomou conta de mim. A vontade de fazer qualquer coisa é zero! Como tocar a vida adiante, sabendo que nunca mais vamos encontrar aquela pessoa? E os encontros que havíamos marcado? E o almoço, que eu já havia imaginado com meus pais e meus amigos queridos, na casa nova, que nem sequer havia saído do chão? Mas como fazer a casa sair do chão, como viver uma felicidade tão grande, junto com uma tristeza tão dolorida?
Não tenho uma resposta para isso. As coisas vão acontecendo. A vida segue e a gente não pode parar e nem podemos pois, precisamos dar todo o apoio para a Maria Helena. A gente segue se arrastando mas, tem que seguir, então, chamamos a patrola para aplainar a área onde "nascerá" uma casa, na parte mais alta do Recanto.
Enquanto a patrola desenterrava uma pedreira, eu chorava e fotografava.
O terreno se transformava numa confusão de terra e pedras, assim como, dentro da mim, era uma confusão de sentimentos.

Me desculpem se eu estiver parecendo um tanto melodramática mas era isso mesmo que estava acontecendo. 
Eu levei um susto com o estado que ficou o terreno, com um monte de pedras para fora, o que só aumentou o meu desânimo.
Mas a área estava ficando planinha!
E começaram a chegar os materiais para a construção.
E a cachorrada fiscalizando tudo! E foi assim que começou a realização do nosso sonho, que está quase pronto. Não tive ânimo para fazer a postagem antes mas, nada como dar tempo ao tempo. Nada como uma obra em casa para a gente não ficar parado, as coisas vão acontecendo, a gente tem que correr atrás e não pode deixar a peteca cair. 
A Maria Helena é uma das poucas pessoas que sabiam que estávamos construindo, aliás, a obra nos ajudou a mudar o foco da tristeza, da ausência do Trieste. Ela mesma, sempre pedia para mandarmos fotos e assim o fizemos. 
Algumas pessoas que conheciam o Recanto, vieram aqui novamente, sem saber da construção e quase seguiram pela estrada, achando que não era a entrada do Recanto, que não tinha nada na frente e agora, tem uma bela casinha crescendo.
Peço desculpas, mais uma vez, se a postagem ficou muito dramática. Não é o meu estilo e não queria que ficasse assim mas, quis explicar o que realmente aconteceu e passou pela minha cabeça. Isso, que não escrevi, contando os meus pensamentos em busca dos porquês das coisas. Tanta coisa que passa pela cabeça da gente numa hora dessas... mas é claro, que vou poupá-los disso. rerererere
Se já me empolgo escrevendo sobre um gafanhoto, imagina o que sairia, se tentasse passar todos os meus pensamentos para o papel. Quer dizer, para o teclado. 
Bom, por enquanto é isso, pessoal! (alguém lembrou do Pernalonga, agora?) :) As próximas postagens sobre a casa nova deverá ter mais fotos (figurinhas), do que texto. Tenho que ser rápida, pois a casa já está quase pronta! Só queria que ficassem por dentro de tudo o que envolveu este sonho que está se realizando. 
E fiquem de olho porque tem foto bacana, pra caramba!!!!

7 comentários:

  1. Tiane,

    Vocês merecem! São pessoas boas, iluminadas.
    Deus devolve em dobro, amiga
    Torço daqui para essa empreitada deslanchar, viu?
    Infelizmente nem tudo sai como esperamos...
    Seu amigo patiu. Mas de onde estiver, tenha certeza que tb está feliz e torcendo por vocês!
    E essa cachorrada sempre linda e bem cuidada, hein? Amo!

    Bjks

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  2. Tiane Chorei de alegria por vc agora!!! que tuas casa seja um lugar de descanso e aconchego. Sei da felicidade que é construir uma casinha nova do jeito que vc quer. E imagino que essa casa vai te trazer muita felicidade e muitos amigos como o Trieste ja estão felizes de saber da realização desse sonho.Cachorro é o melhor fiscal de obra que pode existi r rsrsrrsrs (Luna que o diga)Mostre o andamento da obra e não se acanhe de fazer textão rsrsr eu gosto de ler teu pensamento. Um beijo bem grande dessa sua amiga aqui.[

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  3. Torcendo por vocês e mandando energias positivas <3

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  4. Tiane,
    É muito triste perder pessoas queridas assim em acidentes,sem mais.Eu perdi minha tia,uma segunda mãe e madrinha do Daniel há alguns anos e te entendo perfeitamente.É como apagar uma luz de repente.A dor passará acredite,e logo ficarão as boas lembranças.Força e muito pensamento positivo, tenho certeza que seu amigo Trieste,onde estiver estará contente e feliz por vocês.
    Besitos

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  5. A confusão é compreensível e completamente "entendível" sua analogia. Difícil se alegrar diante da dor, mas ele viverá em vocês por muito tempo!
    Estou surpresa com a rapidez da construção... Quase pronta?!?! Curiosa para ver as fotinhos...
    Assim que vi os peludos pensei: "Eles sempre conferindo e fiscalizando tudo...". Era a sua frase rsrs.
    Tomando café com bolo de fubá lendo seu post e apesar de não conhecer pessoalmente este querido amigo, de ler suas postagens, sinto uma pontada de dor pelo que não será vivido.

    Abraços esmagadores e lambeijos na tropinha toda.

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  6. Olá, querida!
    Infelizmente acontecem coisas que nos abalam, e perder alguém querido realmente dói. Essa dor vai passar e restará a lembrança boa... Quando alguém se vai uma parte dela fica conosco e estará sempre dentro de nós. Fico muito feliz de ver que agora farão a casinha de vocês do jeito que vocês querem!!! É muito gostoso fazer algo do nosso jeitinho. Espero que corra tudo bem!!

    Grande beijo!!!

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  7. Oh Tiane, demais! Muito tocante, a tua descrição de tudo isso. Como é real a confusão de sentimentos que a vida nos proporciona, como é real a forma hercúlea com que muitas vezes temos de lidar com as contradições dos acontecimentos, como é real a agridoçura de tantas coisas com as quais temos de lidar! Este teu post é uma lição de vida! E é verdade, ela continua e nós continuamos com ela. Força, minha querida, que todos os vossos sonhos se continuem a realizar, ainda que com lágrimas à mistura. Mas tudo é crescimento que vai fazer de nós seres humanos maiores. Abraço forte.

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