quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

E ele se foi...

Meu sogro cansou de lutar contra o Alzheimer e todas as complicações que vêm com esta doença.
 Baixei estas fotos e fiquei um bom tempo pensando o que escrever.
Poderia transcrever aqui, todas as manifestações que os alunos do professor Egon e amigos de longa data, publicaram em comentários no Facebook. 
 Todos diziam, de um jeito ou de outro, que ele foi um professor dedicado e inovador, uma pessoa extremamente bondosa, filosófico, amante da natureza e dos esportes.
Fico feliz por ter feito parte de um pedacinho da vida desta pessoa.
Fico feliz e orgulhosa por ter sido recebida com tanto carinho para fazer parte da família dele.
Abaixo, trechos do livro "Quem, eu?", escrito por um neto, Fernando Aguzzoli, que largou tudo para cuidar da vó com Alzheimer. Eu recomendo a leitura, principalmente, para quem tem familiares com a doença.
"... uma vida não é medida por coisas boas ou ruins que fazemos, mas por quantas pessoas atingimos e quantas multiplicam essas atitudes."
"A resposta para superar a morte não está na morte, isso seria muito óbvio. Está na vida.
Nós passamos boa parte da vida aprendendo a lidar com pessoas diferentes, tentando da melhor forma possível conviver, suportar e em alguns casos amar... Porém passamos o restante da vida tentando superar a perda e a ausência dessas mesmas pessoas por quem fomos cativados. O que talvez não enxerguemos é que esse é um trabalho contínuo e inicia muito antes do que imaginamos. Começamos a superar a perda  no momento em que olhamos para essas pessoas pela primeira vez, o que torna a vida toda uma grande superação.
Nossa essência consiste em permitir que pessoas embarquem e desembarquem da nossa vida enquanto seguimos um determinado caminho. Alguns descem antes e outros ficam até o final da viagem, mas o nosso erro está em supervalorizar esses momentos de partida, e não a viagem em si.
Quando eu ficava horas vendo a minha vó tricotar na poltrona, eu já estava superando sua perda e nem sabia. Quando eu ia à padaria comprar aquilo que ela mais gostava para o lanche da tarde, eu estava superando a perda. Quando passávamos a tarde vestindo fraldas  e rindo, eu estava superando a perda. No fim das contas, quando tudo aconteceu, eu já havia superado a sua perda.
 O que eu quero lhe dizer é: a vida junto com essas pessoas tem muito mais valor que o momento de suas partidas. Não é este último segundo que define toda jornada, é a forma como decidimos viver dentro desse relacionamento que define o quão bem ficaremos após a sua partida."
E a frase "saudades eternas" nunca fez tanto sentido para mim, como agora.

6 comentários:

  1. Que triste perda.
    Meus sentimentos! Ele descansa agora e deixará grandes saudades em todos vocês! Fiquem bem! bjs, chica

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  2. Poxa que triste, meus sentimentos Tiane, que seu Egon descanse em paz.
    Meu avô faleceu dessa mesma doença, não lembro de muita coisa pois eu ainda era bem pequena, a única coisa que lembro era dá minha mãe chorando.
    Mas olha, te desejo toda força do mundo pra superar tudo isso.
    Que esse novo ano que se inicia venha com muita saúde, paz e esperança pra nós todos.
    Um beijo e um abraço bem apertado!!!

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  3. TIANE,

    cheguei aqui em péssima hora:Pêsames e muita força,DEUS é muito maior!

    Um abração carioca.

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  4. Que lindo, Tiane! Acho que tens uma capacidade enorme de superação. Acredito que os momentos sejam difíceis, muito difíceis, mas tu procuras forma de os aliviar, tentando encontrar sempre o positivo e até o belo em todos esses momentos. Mais uma grande e bonita lição neste post. A morte, não como algo fatal, mas como algo natural e a ser aceite de forma natural. Que bom que viveste momentos tão bons com uma pessoa assim tão bonita. Tesouros preciosos esses, que guardas. Beijos.

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  5. Tiane,
    Meus sentimentos.Voltei só hoje ao blog e com essa notícia triste.Que Deus lhes dê o amparo e o conforto,e fiquem só com as boas lembranças.

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  6. Meu Deus Tiane...outra vivencia da sua vida tão pareceda com a minha vida... Minha mãe teve uma doença (um ICTUS) ela ficou em cadeira de rodas e já não falou mais... Ha mais de vinte anos que etou cuidando da minha mãe (o meu bloguinho é um desabafo) Me sinto tão identificada com as lindas palavras que dedicas o teu sogro, mesmo são um consolo para os que estamos olhando día a día o deterioro das pessoas que tanto amamos... Beijinhos

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