sábado, 14 de março de 2009

Porto Alegre - Três Coroas: a primeira intermunicipal a gente nunca esquece.

Acordei às 5hs para alimentar a bicharada e deixar tudo limpinho, gatil, canis, casa, etc. Tomei café, coloquei os pastéis nos saquinhos e começou a me dar um friozinho na barriga... a hora ia chegando e meu coração disparando... que nervoso! Será que ia dar tudo certo? Será que eu aguentaria a pedalada até Três Coroas? 8h40, mochila nas costas, outra mochila no bagageiro e saímos pelo portão, eu e a Bici. Até aí, tudo bem, esse chão eu conheço mas nem assim o coração aliviou. Encontrei o Cadu no posto de gasolina ao lado da casa dele. Pneus calibrados, tudo certo: simbora! Lá fomos nós para a estação Farrapos do Trensurb. Chegamos lá umas 9h15, compramos bilhetes e pediram que não pegássemos o trem das 9h18 e sim, o das 9h28. Tudo bem, fomos preparados para pegar o trem às 9h30, horário que é permitida a viagem com bicicletas. Esperar mais 10 minutinhos não seria problema. Assim eu tentava me acalmar... meu coração parecia que ia saltar pela boca!


Bici do Cadu, eu, em pé e o trem das 9h18.

Enquanto esperávamos o trem das 9h28 e o Cadu fotografava as bicis, fiquei matutando se não estaria me precipitando. Voltei a pedalar em janeiro e mesmo assim, pedaladas curtas, com exceção da ida ao Lami. "Voltar a pedalar" talvez, também seja forçar a barra pois antes (há 6 anos), só pedalava dentro da cidade.


Horários permitidos para bicicleta no Trensurb:
de Segunda á sábado: 9h30 às 11hs
14h30 às 16hs
21hs - 23h25
Domingos: 5hs - 23h25


Bicicleta do Cadu na frente e lá atrás, eu sentadinha, me acalmando...

Bom, agora era tarde para desistir, já estava dentro do trem, 33,8 Km de trem até o "fim da linha", em São Leopoldo, tempo suficiente para eu me acalmar e ligar para a Lidia para pedir que ela alimentasse as tartarugas também, além dos cães e gatos. Obrigada Lídia!

Descemos do trem e começamos a grande pedalada! 10 Km de pedal e fura o pneu da bici do Cadu em Novo Hamburgo. Ficamos quase uma hora "parados", tentando consertar o dito que insistia em vazar por algum lugar misterioso. Resolvemos seguir viagem e assim o fizemos.

O dia estava tão lindo! Não querendo reclamar mas nem precisava estar tão lindo ou tão quente!


Depois que eu começo a pedalar, vou perdendo os medos que me atormentam. O sol estava super forte, a estrada tava tranquila e alternava subidas, não tão íngremes porém longas, com algumas poucas descidas. Já havia feito aquele caminho de carro algumas vezes mas nunca tinha percebido essas subidinhas.
Enquanto pedalava, ia pensando se iríamos por Igrejinha ou seguiríamos para São Francisco de Paula. Não tinha conseguido informações sobre qual seria o melhor trajeto. Indo por Igrejinha, chegaríamos no centro de Três Coroas e teríamos uma subida de 8 Km até o Centro Budista e, pelo que soubemos, seguindo reto na direção de São Chico, o Templo fica bem mais próximo mas não sabia quanto teríamos que pedalar da entrada para Igrejinha até a entrada para o Centro Budista e se haveriam muitas subidas. Na dúvida e achando que eu não aguentaria subir até o Templo, resolvi ir por Igrejinha pois, se eu estivesse muito cansada, poderia ir direto para a Pousada e o Cadu ficava livre do "peso morto" para subir até o Centro Budista.
Paramos para tomar um suco, não lembro onde mas já era mais de uma da tarde. A propaganda do local dizia "sucos", entre outras coisas, mas o único suco que tinha era industrializado - que lástima! Mesmo assim, dividimos uma caixinha de suco de manga que desceu feito água, nem senti!
Seguimos pedalando, passamos por Taquara e Igrejinha onde fomos acompanhados por um vento contra em boa parte do trajeto. Eu pedalava, pedalava e parecia que não saía do lugar. Passando o centro de Igrejinha paramos para pedir informação para uma moça que estava em uma parada de ônibus e perguntamos, entre outras coisas, se faltava muito para Três Coroas e ela respondeu que não, que devia faltar uns 5 km... andamos 10 km e nada de Três Coroas. Comecei a sentir dores no ombro direito e no joelho (não lembro qual) e de repente, ouço um estalo. Não, não era meu joelho e sim, uma peça da minha Bici. Paramos, examinamos rapidamente e seguimos viagem.


Na estrada, quase chegando em Três Coroas, passamos por um paredão que o Cadu não resistiu e tentou escalar. Ele quase chegou no topo... e era aaaalto prá caramba! rsrsrs


" Três Coroas localiza-se na Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre e na Microrregião de Gramado - Canela, mais precisamente no Vale do Paranhana e está a uma altitude de 56 metros acima do nível do mar. Seu principal acesso é pela estrada RS-115, embora também seja atendida pela RS-020. Está a 91 km de Porto Alegre, por via asfáltica. O município é cortado pelo Rio Paranhana, pertencente a bacia do Rio dos Sinos, e por vários riachos e nascentes. O Paranhana tem nascente em Canela e é um afluente do rio dos Sinos, o qual deságua no Delta do Jacuí, seguindo pelo lago Guaíba, lagoa dos Patos e daí para o oceano Atlântico." Fonte: http://www.wikipedia.org/


Antes de chegar no centro de Três Coroas, paramos numa tenda que anunciava caldo de cana e sucos. Essa sim, cumpria o que prometia. Eu pedi um caldo e o Cadu um suco de laranja. Pagamos por 1 copo mas eles servem o copo e deixam o restante da jarra na mesa e isso dá 2 copos! Seguimos viagem e às 14h45, mais ou menos, chegamos em Três Coroas!

Sugeri ao Cadu que ele subisse sozinho pois eu estava cansada, pressentindo que não aguentaria a subida. Ele achava que eu tinha que tentar então, combinei que eu tentaria se ele não esperasse por mim e foi o que fizemos. Ele foi na frente e eu atrás, devagar, a bicicleta tava tão pesada... De cara, tinha uma lombinha que estava em obras com paralelepípedos soltos na estrada, para piorar a situação. Ali, já não aguentei seguir pedalando e comecei a empurrar a Bici. Mais adiante a subida ameniza um pouco e voltei a pedalar, pensando feliz "se for assim, dá prá caminhar um pouco e pedalar outro pouco..." Triste ilusão! Depois daquele trecho, não vi mais plano reto, era só subida, subida e mais subida. E eu carregando a Bici. Lá pelas tantas, concluí que não conseguiria subir mais, nem empurrando a Bici e sentei na entrada de uma porteira, comi um pastel, descansei e pensei "pô, vir até aqui e não subir até o Templo, não dá, né?!" Resolvi continuar nem que encontrasse o Cadu já descendo. Continuei empurrando a Bici pois não tinha mais fôlego para pedalar, aliás, mal tinha fôlego para empurrar a bicicleta. Eis que, quando estava quase desanimando de novo, aparece um senhor subindo a pezito. Começamos a conversar, ele contou que subia por ali todos os sábados para se exercitar e perguntou de onde eu vinha. Quando disse para ele que vinha de Porto Alegre e não estava mais aguentando, que iria parar ali mesmo e desitir, ele retrucou que de jeito nenhum, que eu já tinha chegado até ali e só faltavam uns 2 Km, ele não deixaria eu desitir. E seguimos caminhando e conversando.
O seu Vilmar é natural de Porto Alegre e mora em Três Coroas há mais de vinte anos. Foi solteiro para lá, arrumou emprego, casou, tem uma filha e adora morar lá. Conversa vai, conversa vem, ele carregou a bicicleta para mim um pouco, eu fiz uma rápida avaliação nutricional para ele, tentei desistir mais umas duas vezes pois nunca vi 2 Km tão longos, mas ele não deixou e, finalmente, chegamos. Nos despedimos pois seu Vilmar continuaria sua caminhada pela estrada e eu entraria à esquerda para o Templo. Se não fosse o seu Vilmar, não sei se teria chegado lá, muito obrigada!

A visitação para o Templo fecha às 16h30, cheguei na recepção às 16h25, esbaforida, mal conseguindo falar. Apertei o interfone e uma voz perguntou: "Sim? Quer falar com quem???" Putz! Que pergunta! Quase respondi que queria falar com Buda mas decidi deixar a ironia de lado e expliquei que um amigo meu já devia estar lá e eu me encontraria com ele. Muito simpática, a voz abriu o portão lembrando que não podia fumar lá dentro. Ufa! Nem acreditava no que estava acontecendo, eu, entrando no Centro Budista! Consegui!!!!!!! Chegueiii!!!!!
Para minha surpresa, do portão até o Templo, era mais subida e no paralelepípedo! Lá fui eu, empurrar a Bici de novo. Cheguei no estacionamento e vi a bicicleta do Cadu, Estacionei a minha atrás e fui procurá-lo. Encontrei-o no próprio Templo. Sentei para descansar numa salinha que tem antes da porta de entrada. Para entrar no Templo deve-se tirar os sapatos e desligar o celular. Tentei disfarçar pois só queria ficar sentadinha, descansando ali mas o monge que estava cuidando daquela entrada me convenceu a entrar. Eu não fazia a mínima questão pois pensei que não seria uma boa idéia tirar meus tênis ali, depois de pedalar quase 80 Km debaixo de um sol escaldante mas o monge disse que não tinha problema, eles estavam acostumados... que putz! Tirei e entrei. Azar de quem ficou ali na salinha com meu tênis apesar, que ela é bem arejada.

Cadu, tentando mergulhar no laguinho.
O Cadu já tinha andado por todo o Centro Budista mas fez um novo tour para me acompanhar. Saímos de lá quase 17h30. Prá variar, eu estava com medo da descida pois tenho 2 tombos no areião nas minhas lembranças da infância. Mas tudo correu bem, quer dizer, não corri nem um pouco, desci freiando o tempo todo.
Chegamos em Três Coroas e foi muito fácil achar a Pousada.
Serviço da Pousada que ficamos em Três Coroas:
Pousada Raio de Sol
Banho tomado e saímos mais à noitinha para conhecer a cidade e procurar um lugar para comer. A ponte de entrada da cidade é muito linda, principalmente de noite quando está iluminada.

Cadu e eu na escadaria que vai para o pier. Muito lindo!



Estaria eu vendo coisas? Fotos com efeitos especiais by Leonardo Esch

Um comentário:

  1. gente, tu veio de bici conhecer a nossa cidade! és uma guerreira!
    e então curtiram os decks? lá é tri massa!
    apareçam mais vezes, serão sempre muito bem-vindos!
    Édina Porcher

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